Quarta-feira, 31 De Março,2010

ESQUECIMENTO DO PASSADO

LIVROS DOS ESPÍRITOS

392 Por que o Espírito encarnado perde a lembrança de seu passado?

– O homem não pode nem deve saber tudo. Deus em Sua sabedoria quer assim. Sem o véu que lhe encobre certas coisas, o homem ficaria deslumbrado, como aquele que passa sem transição do escuro para a luz.O esquecimento do passado o faz sentir-se mais senhor de si.

393 Como o homem pode ser responsável por atos e reparar faltas das quais não tem consciência? Como pode aproveitar a experiência adquirida em existências caídas no esquecimento? Poderia se conceber que as adversidades da vida fossem para ele uma lição ao se lembrar do que as originou; mas, a partir do momento que não se lembra, cada existência é para ele como a primeira e está, assim, sempre recomeçando. Como conciliar isso com a justiça de Deus?

– A cada nova existência o homem tem mais inteligência e pode melhor distinguir o bem do mal. Onde estaria o mérito, ao se lembrar de todo o passado? Quando o Espírito volta à sua vida primitiva (a vida espírita), toda sua vida passada se desenrola diante dele; vê as faltas que cometeu e que são a causa de seu sofrimento e o que poderia impedi-lo de cometê-las. Compreende que a posição que lhe foi dada foi justa e procura então uma nova existência em que poderia reparar aquela que acabou. Escolhe provas parecidas com as que passou ou as lutas que acredita serem úteis para o seu adiantamento, e pede a Espíritos Superiores para ajudá-lo nessa nova tarefa que empreende, porque sabe que o Espírito que lhe será dado por guia nessa nova existência procurará fazê-lo reparar suas faltas, dando-lhe uma espécie de intuição das que cometeu. Essa mesma intuição é o pensamento, o desejo maldoso que freqüentemente vos aparece e ao qual resistis instintivamente, atribuindo a maior parte das vezes essa resistência aos princípios recebidos de vossos pais, enquanto é a voz da consciência que vos fala. Essa voz é a lembrança do passado, que vos adverte para não recair nas faltas que já cometestes. O Espírito, ao entrar nessa nova existência, se suporta essas provas com coragem e resiste, eleva-se e sobe na hierarquia dos Espíritos, quando volta para o meio deles.

Se não temos, durante a vida corporal, uma lembrança precisa do que fomos e do que fizemos de bem ou mal em existências anteriores, temos a intuição disso, e nossas tendências instintivas são uma lembrança do nosso passado, às quais nossa consciência, que é o desejo que concebemos de não mais cometer as mesmas faltas, nos adverte para resistir.

394 Nos mundos mais avançados que o nosso, onde os habitantes não são oprimidos por todas as nossas necessidades físicas e enfermidades, os homens compreendem que são mais felizes do que nós? A felicidade, em geral, é relativa. Nós a sentimos em comparação a um estado menos feliz. Como, definitivamente, alguns desses mundos, ainda que melhores que o nosso, não estão no estado de perfeição, os homens que os habitam devem ter seus motivos de aborrecimentos. Entre nós, o rico, que não tem angústias de necessidades materiais como o pobre, tem, ainda assim, outras que tornam sua vida amarga. Portanto, pergunto: em sua posição, os habitantes desses mundos não se crêem tão infelizes quanto nós e não se lamentam de sua sorte, já que não têm lembrança de uma existência inferior para servir de comparação?

– Para isso, é preciso dar duas respostas diferentes. Há mundos, entre esses que citastes, onde os habitantes têm uma lembrança muito clara e precisa de suas existências passadas; estes, vós o compreendeis, podem e sabem apreciar a felicidade que Deus lhes permite saborear. Há outros onde os habitantes, como dissestes, colocados em melhores condições do que vós, na Terra não têm grandes aborrecimentos nem infelicidades. Esses não apreciam sua felicidade pelo fato de não se lembrarem de um estado ainda mais infeliz. Entretanto, se não a apreciam como homens, apreciam como Espíritos.

Não há no esquecimento das existências passadas, principalmente nas que foram dolorosas, qualquer coisa de providencial, em que se revela a sabedoria divina? É nos mundos superiores, quando a lembrança das existências infelizes não passa de um sonho ruim, que elas se apresentam à memória. Nos mundos inferiores, as infelicidades atuais não seriam agravadas pela lembrança de tudo que se suportou?

Concluamos: tudo que Deus fez é bem-feito e não nos cabe criticar suas obras e dizer como deveria reger o universo.

A lembrança de nossas individualidades anteriores teria inconvenientes muito graves; poderia, em certos casos, nos humilhar muito; em outros, exaltar nosso orgulho e, por isso mesmo, dificultar nosso livre-arbítrio. Deus deu, para nos melhorarmos, exatamente o que é necessário e basta: a voz da consciência e nossas tendências instintivas, privando-nos do que poderia nos prejudicar. Acrescentemos ainda que, se tivéssemos lembrança de nossos atos pessoais anteriores, teríamos igualmente a dos outros, e esse conhecimento poderia ter os mais desastrosos efeitos sobre as relações sociais. Não havendo motivos de glória no passado, é bom que um véu seja lançado sobre ele. Isso está perfeitamente de acordo com a Doutrina dos Espíritos sobre os mundos superiores ao nosso. Nesses mundos, onde apenas reina o bem, a lembrança do passado nada tem de doloroso; eis por que neles pode se saber da existência anterior, como sabemos o que fizemos ontem. Quanto à estada que fizeram nos mundos inferiores, não é mais, como dissemos, do que um sonho ruim.

395 Podemos ter algumas revelações de nossas existências anteriores?

– Nem sempre. Muitos sabem, entretanto, o que foram e o que fizeram; se fosse permitido dizer abertamente, fariam singulares revelações sobre o passado.

396 Certas pessoas acreditam ter uma vaga lembrança de um passado desconhecido que se apresenta a elas como a imagem passageira de um sonho, que se procura, em vão, reter. Essa idéia é apenas ilusão?

– Algumas vezes é real; mas muitas vezes é também ilusão contra a qual é preciso ficar atento, porque pode ser o efeito de uma imaginação superexcitada.

397 Nas existências de natureza mais elevadas que a nossa, a lembrança das existências anteriores é mais precisa?

– Sim; à medida que o corpo se torna menos material, as lembranças se revelam com mais exatidão. A lembrança do passado é mais clara para os que habitam mundos de uma ordem superior.

398 Pelo estudo de suas tendências instintivas, que são uma recordação do passado, o homem pode conhecer os erros que cometeu?

– Sem dúvida, até certo ponto; mas é preciso se dar conta da melhora que pôde se operar no Espírito e as resoluções que ele tomou na vida espiritual. A existência atual pode ser bem melhor que a precedente.

398 a Ela pode ser pior? Ou seja, o homem pode cometer numa existência faltas que não cometeu em existências precedentes?

– Isso depende de seu adiantamento; se não resistir às provas, pode ser levado a novas faltas, que são conseqüência da posição que escolheu. Mas, em geral, essas faltas mostram antes um estado estacionário do que retrógrado, porque o Espírito pode avançar ou estacionar, mas nunca retroceder.

399 Os acontecimentos da vida corporal são, ao mesmo tempo, uma expiação pelas faltas passadas e provas que visam ao futuro. Pode-se dizer que da natureza dessas situações se possa deduzir o gênero da existência anterior?

– Muito freqüentemente, uma vez que cada um é punido pelos erros que cometeu; entretanto, não deve ser isso uma regra absoluta. As tendências instintivas são a melhor indicação, visto que as provas pelas quais o Espírito passa se referem tanto ao futuro quanto ao passado.

Alcançado o fim marcado pela Providência para sua vida na espiritualidade, o próprio Espírito escolhe as provas às quais quer se submeter para acelerar seu adiantamento, ou seja, o gênero de existência que acredita ser o mais apropriado para lhe fornecer esses meios e cujas provas estão sempre em relação com as faltas que deve expiar. Se triunfa, se eleva; se fracassa, deve recomeçar.

O Espírito sempre desfruta de seu livre-arbítrio. É em virtude dessa liberdade que escolhe as provas da vida corporal. Uma vez encarnado, delibera o que fará ou não e escolhe entre o bem e o mal. Negar ao homem o livre-arbítrio seria reduzi-lo à condição de uma máquina.

Ao entrar na vida corporal, o Espírito perde, momentaneamente, a lembrança de suas existências anteriores, como se um véu as ocultasse; entretanto, às vezes, tem uma vaga consciência disso e elas podem até mesmo lhe ser reveladas em algumas circunstâncias. Mas é apenas pela vontade dos Espíritos Superiores que o fazem espontaneamente, com um objetivo útil e nunca para satisfazer uma curiosidade vã.

As existências futuras não podem ser reveladas em nenhum caso, porque dependem da maneira que se cumpra a existência atual e da escolha que o Espírito virá a fazer.

O esquecimento das faltas cometidas não é um obstáculo ao melhoramento do Espírito porque, se não tem uma lembrança precisa disso, o conhecimento que teve delas quando estava na espiritualidade e o compromisso que assumiu para repará-las o guiam pela intuição e lhe dão o pensamento de resistir ao mal; esse pensamento é a voz da consciência, sendo auxiliado pelos Espíritos Superiores que o assistem, se escuta as boas inspirações que sugerem.

Se o homem não conhece os atos que cometeu em suas existências anteriores, pode sempre saber de que faltas tornou-se culpado e qual era seu caráter dominante. Basta estudar a si mesmo e julgar o que foi não pelo que é, mas por suas tendências.

As contrariedades e os reveses da vida corporal são, ao mesmo tempo, uma expiação pelas faltas passadas e provas para o futuro. Elas nos purificam e elevam, se as suportamos com resignação e sem reclamar.

A natureza dessas alternâncias da vida e das provas que suportamos pode também nos esclarecer sobre o que fomos e o que fizemos, como aqui na Terra julgamos os atos de um culpado pelo castigo que a lei lhe impõe.

Assim, o orgulhoso será castigado em seu orgulho pela humilhação de uma existência subalterna; o mau rico e o avaro, pela miséria; aquele que foi duro para com os outros sofrerá, por sua vez, durezas; o tirano, escravidão; o mau filho, pela ingratidão de seus filhos; o preguiçoso, por um trabalho forçado, etc.


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OS DEFICIENTES MENTAIS E A LOUCURA

LIVROS DOS ESPÍRITOS

371 A opinião de que os deficientes mentais teriam uma alma inferior tem fundamento?

– Não. Eles têm uma alma humana, muitas vezes mais inteligente do que pensais, que sofre da insuficiência dos meios que tem para se manifestar, assim como o mudo sofre por não poder falar.

372 Qual o objetivo da Providência ao criar seres infelizes como os loucos e os deficientes mentais?

– São Espíritos em punição que habitam corpos deficientes. Esses Espíritos sofrem com o constrangimento que experimentam e com a dificuldade que têm de se manifestarem por meio de órgãos não desenvolvidos ou desarranjados.

372 a É exato dizer que os órgãos não têm influência sobre as faculdades?

– Nunca dissemos que os órgãos não têm influência. Têm uma influência muito grande sobre a manifestação das faculdades; porém, não as produzem; eis a diferença. Um bom músico com um instrumento ruim não fará boa música, mas isso não o impedirá de ser um bom músico.

É preciso distinguir o estado normal do estado patológico3. No estado normal, a moral 4 suplanta o obstáculo que a matéria lhe opõe. Mas há casos em que a matéria oferece tanta resistência que as manifestações são limitadas ou deturpadas, como na deficiência mental e na loucura. São casos patológicos e, nesse estado, não desfrutando a alma de toda a sua liberdade, a própria lei humana a livra da responsabilidade de seus atos.

373 Qual pode ser o mérito da existência para seres que, como os loucos e os deficientes mentais, não podendo fazer o bem nem o mal, não podem progredir?

– É uma expiação obrigatória pelo abuso que fizeram de certas faculdades; é um tempo de prisão.

373 a O corpo de um deficiente mental pode, assim, abrigar um Espírito que teria animado um homem de gênio em uma existência precedente?

– Sim. A genialidade torna-se às vezes um flagelo quando dela se abusa.

A superioridade moral nem sempre está em razão da superioridade intelectual, e os maiores gênios podem ter muito para expiar. Daí resulta freqüentemente para eles uma existência inferior à que tiveram e causa de sofrimentos. As dificuldades que o Espírito experimenta em suas manifestações são para ele como correntes que impedem os movimentos de um homem vigoroso. Pode-se dizer que deficientes mentais são aleijados do cérebro, assim como o coxo das pernas e o cego dos olhos.

374 O deficiente mental, no estado de Espírito, tem consciência de seu estado mental?

– Sim, muito freqüentemente; ele compreende que as correntes que impedem seu vôo são uma prova e uma expiação.

375 Qual é a situação do Espírito na loucura?

– O Espírito, no estado de liberdade, recebe diretamente suas impressões e exerce diretamente sua ação sobre a matéria. Porém, encarnado, se encontra em condições bem diferentes e na obrigatoriedade de só fazer isso com a ajuda de órgãos especiais. Se uma parte ou o conjunto desses órgãos for alterado, sua ação ou suas impressões, no que diz respeito a esses órgãos, são interrompidas. Se ele perde os olhos, torna-se cego; se perde o ouvido, torna-se surdo, etc. Imagina agora que o órgão que dirige os efeitos da inteligência e da vontade, o cérebro, seja parcial ou inteiramente danificado ou modificado e ficará fácil compreender que o Espírito, podendo dispor apenas de órgãos incompletos ou deturpados, deverá sentir uma perturbação da qual, por si mesmo e em seu íntimo, tem perfeita consciência, mas não é senhor para deter-lhe o curso, não tem como alterar essa condição.

375 a É então sempre o corpo e não o Espírito que está desorganizado?

– Sim. Mas é preciso não perder de vista que, da mesma forma como o Espírito age sobre a matéria, também a matéria reage sobre o Espírito numa certa medida, e que o Espírito pode se encontrar momentaneamente impressionado pela alteração dos órgãos pelos quais se manifesta e recebe suas impressões. Pode acontecer que, depois de um período longo, quando a loucura durou muito tempo, a repetição dos mesmos atos acabe por ter sobre o Espírito uma influência da qual somente se livra quando estiver completamente desligado de todas as impressões materiais.

376 Por que a loucura leva algumas vezes ao suicídio?

– O Espírito sofre com o constrangimento e a impossibilidade de se manifestar livremente, por isso procura na morte um meio de romper seus laços.

377 O Espírito de um doente mental é afetado, depois da morte, pelo desarranjo de suas faculdades?

– Pode se ressentir durante algum tempo após a morte, até que esteja completamente desligado da matéria, como o homem que acorda se ressente por algum tempo da perturbação em que o sono o mergulha.

378 Como a alteração do cérebro pode reagir sobre o Espírito após a morte do corpo?

– É uma lembrança. Um peso oprime o Espírito e, como não teve conhecimento de tudo que se passou durante sua loucura, precisa sempre de um certo tempo para se pôr a par de tudo; é por isso que, quanto mais tempo durar a loucura durante a vida terrena, mais tempo dura a opressão, o constrangimento após a morte. O Espírito desligado do corpo se ressente, durante algum tempo, da impressão dos laços que os uniam.

 

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Terça-feira, 30 De Março,2010

JESUS - FULGOR RESPLANDECENTE DO FILHO DE DEUS

 

Há dois mil anos surgiu um Homem, entre os milhões de habitantes terrestres... E Esse Homem veio tornar-se o centro da história da humanidade. Muita mais do que isso: Ele tornou um marco para a história da humanidade, de tal modo que até o tempo histórico é contado tendo-O como referência ...  Era uma luminosa escuridão – Esse homem... Não bajulava a nenhum poderoso – e não espezinhava nenhum miserável. Diáfano como um cristal era o Seu caráter – e, no entanto, é Ele o maior mistério de todos os séculos.[i]

Poeta algum conseguiu atingir-Lhe as excelsitudes – filósofo algum valeu exaurir-Lhe as profundezas... Esse homem não repudiava “madalenas” nem apedrejava adúlteras – mas lançava às penitentes palavras de perdão e de vida.

Não fez nada daquilo que a outros homens garante imortalidade entre os mortais – o que Nele havia de maior era Ele mesmo.  Havia inocentes com sorriso nos lábios – e doentes com lágrimas nos olhos. Havia apóstolos – e apóstatas... Brincava nos caminhos Desse homem a mais bela das primaveras – e espreitava-Lhe os passos a mais negra das mortes.[ii]

Sobre suas prédicas Mahatma Gandhi dizia que eram a mais bela que conhecera à face da Terra e que bastaria que 1/3 daqueles que dizem segui-Lo colocassem em prática sua doutrina para mudar socialmente a face da Terra. Para o Iluminado da Índia o Sermão do Monte é a mais bela página da humanidade e por si só preservaria os patrimônios espirituais humanos, ainda que se perdessem os livros sagrados de todas as religiões.

Mesmo que Ele fosse um mito, alguém teria que ter concebido as Suas idéias superiores que chegam até nós. Ele era um homem de singular virtude, que seus companheiros chamam Filho de Deus.

Públio Lentulos dizia que Ele curava os enfermos e levantava os mortos, era belo de figura e atraia os olhares. Seu rosto inspirava amor e temor ao mesmo tempo. Seus cabelos eram compridos e louros, lisos até as orelhas, e das orelhas para baixo cresciam crespos anelados. Dividia-os ao meio uma risca e chegavam-lhes aos ombros segundo o costume da gente de Nazareth. As faces cobriam de leve rubor. O nariz era bem contornado, e a barba crescia, um pouco mais escura do que os cabelos, dividida em duas pontas. Seu olhar revelava sabedoria e candura. Tinha olhos azuis com reflexos de várias cores. Este homem amável ao conversar, tornava-se terrível ao fazer qualquer repreensão. Mas mesmo assim sentia-se Nele um sentimento de segurança e serenidade. Ninguém nunca o via rir. Muitos no entanto O tinham visto chorar. Era de estatura normal, corpo ereto, mãos e braços tão belos que era  um prazer contemplá-los. Sua Voz era grave. Falava pouco. Era modesto .Era belo quanto um homem podia ser belo. Chamavam-lhe Jesus."[iii]

Ele, vivendo o seu tempo, construiu valores universais únicos, que, pela profundidade e extensão, modificaram os aspectos culturais, sociais, políticos e econômicos da humanidade. Ele é o caminho, a verdade, a vida em sua multiplicidade, diversidade, alteridade, exemplo claro de comportamento moral que reflete a identidade do ser com o Universo e com Deus.[iv]

Para a maioria dos teólogos, Ele é objeto de estudo, nas letras do Velho e do Novo Testamento, imprimindo novo rumo às interpretações de fé. Para os filósofos, Ele é o centro de polêmicas e cogitações infindáveis. Para nós espíritas, Jesus foi, é e será sempre a síntese da Ciência, da Filosofia e da Religião. “Tudo tem passado nestes dois mil anos, na Terra– mas a [Sua] Palavra brilha como um Sol sem ocaso, guiando as ovelhas tresmalhadas, os cordeiros perdidos do Rebanho de Israel à porta do aprisco, para restituí-los ao Bom Pastor”[v]

A figura de fulgor resplandecente do Filho de Deus continua sempre, em todos os tempos, como o Guia Espiritual da Humanidade terrena, amando-a e instruindo-a com paciência infinita.

Proclamando as bem-aventuranças à turba no monte, não a induz para a violência, a fim de assaltar o celeiro dos outros. Multiplica, Ele mesmo, o pão que a reconforte e alimente. Não convida o povo a reivindicações. Aconselha respeito aos patrimônios da direção política, na sábia fórmula com que recomendava seja dado “a César o que é de César”. Demonstrando as preocupações que o tomavam, perante a renovação do mundo individual, não se contentou em sentar-se no trono diretivo, em que os generais e os legisladores costumam ditar determinações... Desceu, Ele próprio, ao seio do povo e entendeu-se pessoalmente com os velhos e os enfermos, com as mulheres e as crianças.

Entreteve-se em dilatadas conversações com as criaturas transviadas e reconhecidamente infelizes. Usou a bondade fraternal para com Madalena, a obsidiada, quanto emprega a gentileza no trato com Zaqueu, o rico. Reconhecendo que a tirania e a dor deveriam permanecer, ainda, por largo tempo, na Terra, na condição de males necessários à retificação das inteligências, o Benfeitor Celeste foi, acima de tudo, o orientador da transformação individual, o único movimento de liberação do espírito, com bases no esforço próprio e na renúncia ao próprio “eu”. Para isso, lutou, amou, serviu e sofreu até à cruz, confirmando, com o próprio sacrifício, a sua Doutrina de revolução interior, quando disse: “e aquele que deseje fazer-se o maior no Reino do Céu, seja no mundo o servidor de todos.”[vi]

O Espiritismo vem colocar o Evangelho do Cristo na linguagem da razão, com explicações racionais, filosóficas e científicas, mas, vejamos bem, sem abandonar, sem deixar de lado o aspecto emocional que é colocado na sua expressão mais alta, tal como o pretendeu Jesus, ou seja o sentimento sublimado, demonstrando assim que o sentimento e a razão podem e devem caminhar pela mesma via, pois constituem as duas asas de libertação definitiva do ser humano.

Sabemos não ser a experiência humana uma estação de prazer, por isso, continuemos trabalhando no ministério do Cristo, recordando que, por servir aos outros, com humildade, sem violências e presunções, Ele foi tido por imprudente e rebelde, transgressor da lei e inimigo da população, sendo escolhido por essa mesma multidão para receber com a cruz a gloriosa coroa de espinhos, mas sob o influxo do bom ânimo Ele venceu o mundo!

Até porque o sacrifício Dele não deve ser apreciado tão-somente pela dolorosa expressão do Calvário. O Gólgota representou o coroamento da obra do Senhor, mas o sacrifício na sua exemplificação se verificou em todos os dias da sua passagem pelo planeta. Numerosos discípulos do Evangelho consideram que o sacrifício do Gólgota não teria sido completo sem o máximo de dor material para o Mestre Divino. Entretanto, a dor material é um fenômeno como o dos fogos de artifício, em face dos legítimos valores espirituais.  Homens do mundo, que morreram por uma idéia, muitas vezes não chegaram a experimentar a dor física, sentindo apenas a amargura da incompreensão do seu ideal. Imaginai, pois, o Cristo, que se sacrificou pela Humanidade inteira, e chegareis a contemplá-Lo na imensidão da sua dor espiritual, augusta e indefinível para a nossa apreciação restrita e singela. [vii]

Em realidade  qualquer palavra , expressão poética, artística, filosófica e qualquer louvor em Sua memória significarão apagada homenagem em face do que Ele representa para cada um de nós.

 

Referências

[i] Rohden, Humberto.  De alma para alma, SP: Editora: Martin Claret, 20ª ed, 2 001

[ii] Idem

[iii] Descrição feita pelo pró-consul Públios Lentulos

[iv] Disponível em <http:// www.sbee.com.br> acessado em 06/01/06

[v] SCHUTEL, Cairbar. Parábolas e ensinos de Jesus, SP: ed. O Clarim– Matão, 1993, p. s/n

[vi] Xavier, Francisco Cândido. Roteiro, Ditado pelo Espírito Emmanuel, RJ: Ed FEB –  10a ed.

[vii] Xavier, Francisco Cândido. O Consolador, Ditado pelo Espírito Emmanuel, RJ: Ed FEB – 16a. edição

 

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Segunda-feira, 29 De Março,2010

O CÉU E O INFERNO

 

Será que o conceito que aprendemos do Céu e do Inferno estaria, nos dias de hoje, sendo aceito pela maioria das pessoas? Pergunta que fica em minha mente e que gostaria de desenvolver sob a ótica da Doutrina Espírita.

Não iremos discutir se é certo ou errado, o que propomos é desenvolver uma idéia no sentido de mostrar que hoje podemos ter uma visão mais atual a respeito do assunto sem ferir suscetibilidades.

Em que lugar estariam localizados o Céu e o Inferno? Temos aprendido que o primeiro fica “lá em cima” e o segundo “lá em baixo”. Ora sendo a terra redonda, teríamos, na visão do homem, o Céu na região sideral e o Inferno no centro da Terra, pois não poderia passar daí.

Não estando dessa forma localizados poderíamos afirmar que este conceito está em dizer a nós todos que seremos recompensados pelo nosso bom comportamento perante as Leis Divinas ou seremos “castigados” por infringi-las. É antes de tudo um estado íntimo de cada um de nós em relação a Deus.

Dizem-nos que no Céu iremos viver na eterna contemplação de Deus. Visão, talvez, associada à idéia de que o trabalho foi um castigo de Deus aos homens, não uma necessidade de nosso organismo físico, que de outra forma se atrofiaria.

E desta maneira o Criador continuaria trabalhando e a criatura não iria trabalhar, viveria nesta nova dimensão na ociosidade eterna? Não seria contrário ao que disse Jesus: “Meu Pai continua a trabalhar até agora, por isso eu também trabalho". (João 5, 17).

E quanto ao Inferno, se não o aceitarmos no sentido figurado, de que as nossas más ações acarretariam “penalidades” por algum tempo, e nunca eternamente, estaríamos frontalmente contra a misericórdia e a justiça Divina. A pergunta fundamental que poderíamos fazer é: Se Jesus nos recomenda a perdoar “setenta vezes sete” (Mateus 18, 21-22), tal preceito só valeria a nós, não seria praticado por Deus? Assim o “perdão” de Deus sendo infinito não se coadunaria com “as penas eternas”.

Vamos recorrer a Lucas 15, 11-24, na parábola do filho pródigo: “Disse ainda:" Um homem tinha dois filhos. O caçula disse a seu pai: ‘Pai, dá-me a parte dos bens que me cabe’. E o pai repartiu seus bens entre os dois. Poucos dias depois, o caçula juntou todos os seus bens, partiu para uma região longínqua e esbanjou tudo por lá, vivendo dissolutamente. Depois de gastar tudo, uma fome terrível assolou aquela região e ele começou a passar privações. Então ele ficou como empregado de alguém daquela região, o qual o enviou aos seus campos para guardar porcos. Bem que ele desejava matar a fome com as vagens que os porcos comiam. Mas, nem isso lhe davam! Caindo, então em si, disse: ‘Quantos empregados de meu pai têm pão à vontade e eu aqui morrendo de fome! Vou partir, voltar para meu pai e dizer-lhe: Pai pequei contra o céu e contra ti. Não mereço mais ser chamado teu filho. Trata-me como a um dos teus empregados!’ Ele partiu de volta para seu pai. Ainda estava longe, quando seu pai o avistou e ficou penalizado. Correu, então, ao seu encontro, abraçou-o cobrindo-o de beijos. O filho lhe disse: ‘Pai, pequei contra o céu e contra ti. Não mereço mais ser chamado seu filho!’ Mas o pai ordenou aos seus empregados: ‘Trazei-me depressa a melhor roupa e colocai nele. Ponde um anel no seu dedo e sandálias nos pés. Trazei também o novilho de engorda, matai-o, comamos e façamos uma festa; porque meu filho estava morto e voltou à vida, estava perdido e foi encontrado! ’ E começaram a festa.”

Temos nesta parábola a representação alegórica de Deus, personificado pelo pai, que vem receber o filho de braços abertos, apesar de tudo que ele tinha feito. Não houve qualquer espécie de castigo, muito ao contrário, devolveu-lhe o anel da família, restabelecendo em plenitude sua condição de filho amado.

Gostaria de perguntar a uma abnegada mãe se ela ficaria feliz no Céu vendo seu filho, aquele rebento de seu coração, em sofrimento eterno no Inferno? A lógica e a razão nos apresentam como resposta um não. Não há como ser feliz nestas circunstâncias. Não seria como agem aqui na Terra, quando estouram as rebeliões nos presídios, onde vemos as mães clamando e chorando pelos seus filhos, temerosas por suas vidas? Apesar de nós os vermos como criminosos elas só os enxergam como seus filhos.

Por outro lado, se ainda acreditarmos no inferno, estaríamos aceitando que o homem é mais misericordioso que Deus. Vemos a cada dia que se passa as leis penais dos homens abolirem a pena de morte e a prisão perpétua e que a pena decretada pela justiça humana é abrandada quando o sentenciado tem bom comportamento no estabelecimento correcional, sendo, inclusive, solto antes mesmo de cumprir toda a pena, é reintegrado à sociedade em que ele vive. Como poderia Deus agir com menos misericórdia e justiça que os homens? Se um pecador levou a vida inteira transgredindo as Leis Divinas, tendo ele vivido 100 anos, por exemplo, como será que Deus agiria neste caso? Daria a ele 100 anos de sofrimento... 1000 anos... 1 bilhão de anos... ou a eternidade como pena quando por apenas 100 anos ele foi um transgressor de suas Leis? Onde estaria a justiça e a misericórdia Divina? Nós os Espíritas temos a certeza de que não agiria desta forma, e ao invés de colocá-lo no inferno eterno, daria a ele uma nova chance, onde ele tivesse a oportunidade de pagar “até o último centil".

E a maneira que Deus usa para mostrar sua misericórdia e justiça é dando-nos uma nova vida. Sim, é isto mesmo, através da reencarnação nós temos, por misericórdia e justiça, uma nova oportunidade de resgatarmos os nossos erros de vidas anteriores. E dentro deste princípio, todos nós chegaremos um dia à condição de espíritos puros, habitando as regiões celestes, trabalhando para que a vontade de Deus se cumpra em todo o universo.

Nov/94

Bibliografia:

  • Novo Testamento, LEB - Edições Loyola, 1984.
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Sábado, 27 De Março,2010

O PROPÓSITO DE DEUS NA TERRA - A VERDADE SOBRE A BÍBLIA

Se considerar contradições já é difícil, imagine, em tal caso, tolerar verdadeiros absurdos que podemos encontrar no livro dito sagrado.

Uma vez mais evocamos a isenção e a sensatez para a averiguação dos pontos seguintes:

 

A PERSONALIDADE DE DEUS

Em corroboração mútua, a Bíblia e os homens traçaram uma personalidade para Deus próxima às fraquezas humanas, levando ao pé da letra o que diz o seguinte trecho:

Deus criou o ser humano à sua imagem, à imagem de Deus o criou. Homem e mulher ele os criou. Gênesis, 1:27

Desde então, descreveram-nO cheio de ira, ciúme, orgulho, vaidade e propenso ao arrependimento, à fadiga e à vingança. Atributos esses que é peculiar a quem não tem constância — em resumo: um deus imperfeito.

Instigado por esses instintos, Javé age com mão de ferro contra os “inimigos” — sim, Jeová tinha inimigos! — a até mesmo contra os eleitos, não raro, com requintes de crueldade.

Um exemplo: a Arca da Aliança era uma peça sagrada, que somente deveria ser tocada pelos sacerdotes autorizados. Ocorre que, em um translado, deu-se um incidente:

Mas, ao chegar na eira de Nacon, Oza estendeu a mão para a arca do Senhor e segurou a, porque os bois tinham escorregado. Então o Senhor inflamou-se de ira contra Oza e feriuo por causa da sua temeridade, de modo que ele morreu ali mesmo, junto da arca de Deus. II Samuel, 667

 

PROPÓSITOS DE DEUS NA TERRA

Iavé representa aos israelitas o mesmo que os deuses do Olímpio à Grécia, bem como ocorria em outros povos e respectivas mitologias, com a diferença de ser no singular — único: o Senhor dos exércitos, protetor do povo abençoado e justiceiro da Terra.

O propósito comum é estabelecer o domínio terreno a Israel:

O Senhor dos Exércitos está conosco, nosso refúgio é o Deus de Jacó.

Salmos, 46:12 (*)

 

Agora, Senhor Deus, cumpre para sempre a promessa que fizeste ao teu servo e à casa de Israel.

Faze como disseste! Então o teu nome será exaltado para sempre, e dirão: ‘O Senhor dos Exércitos é o Deus de Israel’. E a casa do teu servo Davi permanecerá estável na tua presença. II Samuel, 7:2526

É o rei Davi o interlocutor do Senhor no trecho supracitado.

Repare que ele pede (ou exige?) o cumprimento da promessa de Jeová e (condicionado?) a isso, garante que (no futuro) o seu povo glorificará o nome do Senhor.

 

Atentem para essa passagem:

Com a ira do Senhor dos exércitos, incendiou-se a terra, o povo virou lenha deste fogo. Ninguém poupa seu irmão: morde à direita e continua com fome, morde à esquerda e não fica satisfeito, devorando cada um a carne do irmão.Isaias, 9:1819

Que coisa, não?!

 

Vingança! Vingança! Vingança!

Por isso, diz o Senhor, o Deus dos exércitos, o Herói de Israel: “Ah! Vou rir dos meus inimigos, vingar-me dos adversários! Isaias, 1:24

(*) Em algumas traduções a numeração desse Salmo é 45 e a do versículo é 11.

 

EXTREMISMO

Nas minúcias, a lei de Jeová é mais que rigorosa: é extremista — talvez, por causa das Suas tendências humanas. O fato é que, analisando-a friamente, concluiremos haver incompatibilidades profundas. Prossiga!

 

O terceiro mandamento da Lei de Deus é tomar o sétimo dia da Criação como data santa e exclusiva para oração (Êxodo 20, 810).

Era pra ser o sábado, mas depois foi transferido para o domingo – sem o consentimento da Bíblia. Deus escolheu errado o dia?

Dizem que é em homenagem à ressurreição de Jesus, registrada num domingo. Mas o próprio Jesus não disse que “não veio destruir a Lei, mas cumpri-la”?

Se ele mesmo não mudou a data, por que fizeram isso depois de tantos séculos?

Até aí, vá lá...

 

Impressionante o rigor da lei Sabbath! Observem:

Guardareis o sábado, porque é sagrado para vós.

Quem violar será punido de morte. Se alguém nesse dia trabalhar, será eliminado do meio do povo.Êxodo, 31:14

— O que fazer com os bombeiros, os médicos, os taxistas, e todos os profissionais que trabalham no dia do Senhor? Devem ser executados?

 

Para os pais que não suportarem a rebeldia de um filho a Lei prescreve o seguinte alvitre:

Se alguém tiver um filho desobediente e rebelde, que não quer atender à voz do pai nem da mãe e, mesmo castigado, se obstinar em não obedecer, os pais o conduzirão aos anciãos da cidade, até o tribunal local, e lhes dirão: “Este nosso filho é desobediente e rebelde. Então todos os homens da cidade o apedrejarão.

E assim eliminarás o mal de teu meio e, ao sabê-lo, todo o Israel temerá. Deuteronômio, 21:1821

Também deve ser morto o filho que amaldiçoar seus progenitores:

“Quem amaldiçoar o pai ou a mãe será punido de morte; amaldiçoou o próprio pai e a própria mãe: é réu de morte. Levítico, 20:9

 

— Eis a legitimação da pena de morte, embora um dos mandamentos seja: “Não matarás”.

 

A sentença também é cabível para todos os homossexuais:

Se um homem dormir com outro, como fosse com mulher, ambos cometem uma abominação e serão punidos com a morte: seu sangue cairá sobre eles. Levítico, 20:13

— Homofobia transparente!

 

Essa mesma fatal recomendação é aplicada às mais diversas situações. Sem embargo, num gênero, em especial, ela se salienta:

Se um homem tomar como esposa ao mesmo tempo a filha e a mãe, é uma infâmia. O homem e as duas mulheres serão queimados, para que não haja entre vós infâmia semelhante. Levítico, 20:14

— Veja só que nesse caso, deve morrer o agressor e as vítimas. É bem verdade que há a possibilidade de as duas se entregarem por livre desejo, porém, o mais comum é que o macho se imponha às mulheres.

De qualquer forma...

O homem que tiver relações sexuais com um animal será punido de morte; deveis matar também o animal. Se uma mulher se aproximar de um animal para copular, matarás a mulher e o animal. Os dois serão mortos: seu sangue cairá sobre eles. Levítico, 20:15

Quer dizer: a vítima, o animal inocente, também paga pelo erro.

 

A Bíblia prega a intolerância religiosa? Analisemos:

Se, em teu meio, em algumas das cidades que o Senhor teu Deus te dá, houver um homem ou uma mulher que pratique o que desagrada ao Senhor teu Deus, transgredindo sua aliança e seguindo outros deuses para segui-los e prostrar-se diante deles, diante do sol ou da lua ou de qualquer astro do exército do céu — coisas que não ordenei — logo que te chegar a notícia, investigarás cuidadosamente o caso. Se for de fato verdade que se cometeu tal abominação em Israel, levarás às portas da cidade o homem ou a mulher que cometeu tal maldade e os apedrejarás até à morte. Deuteronômio, 17:25

E o código diz ainda que o castigo deve se estender a toda cidade, em que nem os bois e as vacas devem escapar, quando homens saírem para seduzir os israelitas (Deuteronômio, 13:15).

Tomemos por exemplo, o que deveria acontecer a Samaria, uma cidade infiel:

Samaria vai pagar, pois revoltou-se contra o seu Deus. Ela cairá à espada, seus filhos serão esmagados, as grávidas terão os ventres rasgados! Oséias, 14: 1 (*)

— Intolerância religiosa, a exortação à guerra santa, cruzadas, inquisição, etc.!!!

 

Em Números, 31, lemos uma descrição minuciosa de uma carnificina assustadora que Jeová comanda sobre os midianitas. Suas cidades foram saqueadas e totalmente destruídas, matando a homens, mulheres e crianças, com uma exceção apenas:

As meninas, porém, que não tiveram relações com homem, conservai-as vivas para vós. Números, 31:18

Aliás, promessa de recompensa comum às vitórias militares, na antiguidade, era a de posse de virgens.

 

O Deus da vida, usado para justificar guerras e guerras!

Estando Eglon sentado em seu quarto privativo de verão, no andar superior, Aod se aproximou. “Tenho uma mensagem de Deus para ti”, disse Aod. Quando o rei se levantou do trono, Aod estendeu a mão esquerda e apanhou do lado direito o punhal, que lhe enfiou no ventre. Juízes, 3:2021

* * *

(*) Em algumas traduções, esse capítulo 14 é apenas continuação do anterior. Logo, o trecho estaria em: Deuteronômio, 13:16.

 

E quando não, o próprio Espírito de Deus se apossa dos homens, como Sansão, para matar e matar:

Então o espírito do Senhor apoderou-se de Sansão.

Ele desceu a Ascalon, matou ali trinta homens (...). Juízes, 14:19

Adiante, o mesmo espírito do Senhor faz Sansão matar mais mil.

Ao chegar a Lequi, os filisteus vieram ao encontro dele com gritos de guerra. Então, o espírito do Senhor apoderou-se dele e as cordas sobre os braços tornaram-se como fios de linho a queimar no fogo, e as amarras das mãos se desfizeram. Havia ali uma queixada de burro recém morto.

Ele estendeu a mão, agarrou a e com ela matou mil homens. Juízes, 15:1415

O detalhe aqui é que o herói Sansão cometeu um ato imundo perante a lei de Israel, que é o de tocar um cadáver animal.

 

E o Senhor de Israel, segundo a Bíblia, não tolera frouxidão.

Condenou um indivíduo que se recusou a ferir um profeta:

Então um do grupo dos profetas, por ordem do Senhor, disse a um companheiro: “Fere-me!” Mas ele não quis feri-lo.

“Por que não quiseste ouvir a voz do Senhor”, disse o primeiro, “um leão te matará quando te afastares de mim”. Afastando-se ele um pouco, um leão veio-lhe ao encontro e o matou. I Reis, 20:3536

— Incitação à violência!

 

Nem mesmo as crianças são ignoradas pela ira do Senhor:

Daí, Eliseu subiu a Betel. Pelo caminho, uma turma de meninos saiu da cidade, e zombaram dele, dizendo: “Sobe, careca! Sobe, careca!” Voltando-se, viu-os e os amaldiçoou em nome do Senhor. Saíram então dois ursos da floresta e despedaçaram quarenta e dois deles. II Reis, 2:2324

— Absolutismo inexplicável! Caçoada e impertinência própria da meninice. Se se fosse punir a puerilidade dos dias correntes...

 

A Verdade Sobre A Bíblia...

L. Neilmor is

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publicado por SÉRGIO RIBEIRO às 01:11
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Sexta-feira, 26 De Março,2010

DÍZIMO, DEVE-SE PAGAR OU NÃO PAGAR?

 

Fizeram da casa de meu Pai um covil de ladrões (Jesus).

 

 

 

Introdução

A nossa proposição nesse texto é apenas a de defender-nos da acusação insana de um certo líder adventista de que o Espiritismo é antibíblico, por não cobrar o dízimo, dentre outras coisas. Assim, não temos por objetivo o de condenar, mas apenas usamos do nosso pleno direito de defesa. Nossa intenção é só mostrar, para quem quiser enxergar, que quem cobra dízimo o faz em seu próprio nome e interesse, e que não possui nenhum respaldo bíblico ou divino para tal.

Questão de certa forma muito delicada, devido ao largo uso deste instituto pelas igrejas cristãs tradicionais. Certamente que apresentarão mil e um motivos para justificar a sua cobrança, pois ele é a principal fonte do sustento da cúpula religiosa; talvez uns poucos trocados vão para a ajuda aos necessitados. Em alguns casos vemos sinceridade nessa aplicação; em outras, apenas eles mantêm uma obra filantrópica de fachada para sensibilizar o seu fiel, de que ele seja bem generoso em suas futuras doações. Temos consciência de que falar disso vai atrair a ira desses sepulcros caiados, mas a verdade precisa ser dita, doa a quem doer.

Em relação ao Novo Testamento, a passagem geralmente citada é a de Mateus, na qual lemos:

Mt 23,23: “Ai de vocês, doutores da Lei e fariseus hipócritas! Vocês pagam o dízimo da hortelã, da erva-doce e do cominho, e deixam de lado os ensinamentos mais importantes da Lei, como a justiça, a misericórdia e a fidelidade. Vocês deveriam praticar isso, sem deixar aquilo”.

Se formos pegar ao “pé da letra”, a única coisa, que Jesus está afirmando, é que os doutores da Lei e fariseus eram pessoas hipócritas que faziam mais caso do dízimo do que da moral religiosa. E como especifica o dízimo, citando o da hortelã, da erva-doce e do cominho, não nos podemos estender para mais nada além desses; isso se quisermos justificar que Jesus tenha aprovado o seu pagamento.

Vamos ver se essa conclusão a que chegamos é procedente ou não; para tanto, é necessário fazermos uma pesquisa, para elucidar essa questão, certamente, ainda muito controvertida.

 

 

Resultado da pesquisa

Buscamos saber, em várias fontes, sobre o dízimo, cujos textos transcrevemos e sobre os quais teceremos nossos comentários.

Definição dada pelo Dicionário Bíblico Universal:

Dízimo

Etim. latina: décimo.

Javé, o Deus vivo, é fonte da vida. É ele que dá fecundidade às famílias, aos rebanhos e à terra. Os homens lhe prestam reconhecimento (Os 2,10), trazendo-lhe oferendas: apresentação das “primícias”, do “dízimo” etc.

O dízimo é a entrega da décima parte da colheita do campo: grãos, óleo, vinho (Dt 14,22).

Segundo o Deuteronômio, o produto deve ser levado, cada ano, ao santuário que era então o de Jerusalém. A apresentação da oferenda dá lugar a refeições sacrificiais, às quais é convidado o levita (Dt 12,11-12). Mas a Lei prevê também um pagamento em dinheiro (Dt 14,25).

A cada três anos, o dízimo é depositado às portas das casas e colocado à disposição do levita, do estrangeiro, do órfão e da viúva (Dt 14,28-29).

Segundo a legislação sacerdotal, o dízimo é entregue aos levitas que devem, por sua vez, entregar a décima parte aos sacerdotes: “o dízimo do dízimo”, a título de oferenda feita a Javé (Nm 18,21-32). Mas Nm 35,1-8 também prevê a substituição do dízimo por uma doação em terras ou bens de raiz.

É evidente que essas três regulamentações refletem as preocupações de épocas e de contextos diferentes.

Na época de Neemias, depois de Malaquias, o pagamento dos dízimos, por uma população, aliás, bem pobre, foi irregular e negligenciado (Ne 13,10-13; Ml 3,8-12).

Ao tempo de Jesus, os doutores da Lei aplicavam meticulosamente o dízimo aos produtos mais ínfimos do solo: o evangelista enumera a hortelã, a erva-doce e o cominho (Mt 23,23).

(MONLOUBOU e DU BUIT, 1997, p. 202).

O sentido é que de tudo que fosse produzido pela natureza é que deveria ser reservada a sua décima parte para Deus, fonte da vida. Essa décima parte era entregue no santuário aos levitas.

Em Dt 14,22 se recomenda separar o dízimo de qualquer produto do campo, ou seja, tratava apenas dos produtos agrícolas. Vejamos o passo:

Dt 14,22-23: “Todos os anos você separará o dízimo de qualquer produto de seus campos e o comerá diante de Javé seu Deus, no lugar que ele tiver escolhido para aí fazer habitar o nome dele; nesse lugar você comerá o dízimo do trigo, do vinho novo e do óleo, e também os primogênitos das vacas e das ovelhas, para que você aprenda continuamente a temer Javé seu Deus”.

O dízimo aqui não é para ser dado a ninguém, mas era algo que ia ser comido diante de Deus, no Templo. Isso demonstra que, o que se falou dessa passagem, não confere com o relatado como explicação. Seguindo em frente, iremos ver o ponto dito sobre o pagamento em dinheiro:

Dt 14,24-26: Se o caminho for longo demais e você não puder levar o dízimo, porque fica muito longe o lugar escolhido por Javé seu Deus para aí colocar o nome dele, e Javé seu Deus tiver abençoado você, então venda, pegue o dinheiro e vá ao lugar que Javé seu Deus tiver escolhido. Aí você trocará o seu dinheiro por aquelas coisas que desejar: vacas, ovelhas, vinho, bebida embriagante, tudo o que você quiser. Você comerá aí, diante de Javé seu Deus, e festejará com a família”.

Fica claro, então, que não havia aqui nenhum tipo de pagamento em dinheiro, conforme tentaram justificar citando Dt 14,25. Quem não tinha condições de levar seus produtos, por morar longe, deveria vendê-los para comprar outros, provavelmente no comércio existente dentro do templo, ou seja, fazia-se apenas uma substituição. Depois, como no passo anterior, deveria ser comido diante de Deus.

Estamos diante não do dízimo que deveria ser entregue aos sacerdotes, mas de uma descrição do que poderíamos chamar de uma refeição comemorativa. O dízimo propriamente dito nós iremos citá-lo mais à frente, em um outro trecho bíblico.

Também não procede a informação da substituição do dízimo por terra, baseando-se em Nm 35,1-8. Na verdade, essa passagem nada tem a ver com dízimo. O que ali consta é a parte dos levitas na herança das terras que Deus havia prometido aos hebreus, ou seja, que caberia a eles também uma parte das terras de Canaã, de cujo povo iriam tomá-las à força.

Sobre a negligência mencionada em Neemias, podemos dizer que realmente há essa reclamação; mas é bom que a vejamos, pois não é o que querem que ela seja:

Ne 13,10-13: “Também fiquei sabendo que não estavam mais dando aos levitas as contribuições devidas, e que os levitas e cantores, encarregados do culto, tinham fugido cada qual para a sua propriedade. Enfrentei os ministros e lhes disse: "Por que o Templo de Deus está abandonado?" Reuni de novo os levitas e os reintegrei nas suas funções. Então, todos os judeus começaram a trazer de novo para os armazéns o dízimo do trigo, do vinho e do azeite. Coloquei, como encarregados dos armazéns, o sacerdote Selemias, o escrivão Sadoc e o levita Fadaías, ajudados por Hanã, filho de Zacur, filho de Matanias, pois eles tinham fama de serem íntegros. A função deles era distribuir as porções para seus irmãos”.

Se Neemias reintegrou os levitas nas suas funções, por certo que eles não as estavam exercendo; portanto, não mereciam mesmo o dízimo; não é mesmo? Mas o dízimo que voltaram a pagar foi o do trigo, do vinho e do azeite; aquele mesmo mencionado em Dt 14,22-23, que comentamos anteriormente.

Vejamos agora a outra passagem:

Ml 3,8-12: “Pode um homem enganar a Deus?" Pois vocês me enganaram! Vocês perguntam: "Em que te enganamos?" No dízimo e na contribuição. Vocês estão ameaçados de maldição, e mesmo assim estão me enganando, vocês e a nação inteira! Tragam o dízimo completo para o cofre do Templo, para que haja alimento em meu Templo. Façam essa experiência comigo - diz Javé dos exércitos. Vocês hão de ver, então, se não abro as comportas do céu, se não derramo sobre vocês as minhas bênçãos de fartura. Acabarei com as pragas das plantações, para que elas não destruam os frutos da terra e nem devorem a vinha no campo - diz Javé dos exércitos. Todas as nações chamarão vocês de felizes, pois vocês hão de ser um país de delícias - diz Javé dos exércitos”.

Estavam mesmo não pagando todo o dízimo devido; alguma coisa estavam sonegando, pois era exigido o dízimo completo. Na advertência do profeta, vemos que a recomendação é de que o levassem para o templo, para que houvesse alimento, ou seja, produtos do campo, o que, também, nos remete ao estabelecido em Dt 14,22-23.

Quanto a Mt 23,23 em relação ao dízimo da hortelã, da erva-doce e do cominho, em que Jesus deixa claro que deviam seguir essa prescrição, talvez, haja a sua razão de ser; senão vejamos uma explicação:

Exemplo concreto de hipocrisia, que faz questão de preceitos leves, como o dízimo das plantas comestíveis e vulgares, desprezando os preceitos graves e importantes. A menta (hortelã, hêdyosmon) porque aromatiza os alimentos e servia de remédio para as taquicardias (eram comidos três ovos: um com menta, um com cominho e o terceiro com sésamo); o endro (ánéthon), comestível muito usado; e o cominho (kyminon) também empregado como tempero e remédio. No entanto, negligenciavam o discernimento (krísis), a misericórdia (éleos) e a fidelidade (pístis). E é acrescentada a fórmula: "devíeis fazer estas coisas, sem omitir aquelas", ou seja, não é que a primeira esteja errada: é que deve ser mantida em sua posição real, em segundo lugar. Em Lucas são citadas: a hortelã a arruda (péganon) planta aromática e as hortaliças em geral (láchanon), e, como negligenciadas, o discernimento e o amor de Deus (agápén tou theoú). No final de Mateus há uma daquelas ironias próprias de Jesus e originais: "guias cegos' coais um mosquito e engulis um camelo" (hoi díulízontes ton kônôpa, tên dè kámêlon katapínontes). Figura metafórica das mais felizes, para sublinhar o ensinamento dado. (PASTORINHO, 1964, p. 45).

O que concluímos é que, por serem plantas medicinais, deveriam mesmo ser entregues, para uso oportuno. Mas isso está muito longe de ter o caráter atribuído ao dízimo nos dias atuais.

Outro autor nos informa coisa bem semelhante:

Eles davam o dízimo (a décima parte) da menta, que era uma planta favorita, de aroma suave, que algumas vezes medrava nos soalhos das casas de moradia e das sinagogas, para dar seu aroma suave e assim prover uma atmosfera mais agradável. Essa planta também era usada como especiaria; enquanto que o aniz, o coentro e o cominho (que são sementes aromáticas) eram usadas como condimentos e, algumas vezes, como medicamentos. (CHAMPLIN, vol. 1, 2002, p. 548).

Embora mude um pouco em relação à informação anterior, ainda assim, ficamos convictos de que poderiam ser mesmo usadas, quer como condimentos ou medicamentos, em benefício do povo; não dos sacerdotes.

Essa primeira informação não passou pelo nosso exame crítico, pois nitidamente foi elaborada para justificar o dízimo dentro do meio católico. Sigamos em frente.

Dízimo. Décima parte da produção, ou de outros bens, que se consagram ao Senhor e se usam para fins religiosos. O primeiro dízimo mencionado nas Escrituras é o pago por Abraão ao sacerdote Melquisedec (Gen 14,20). Jacó prometeu pagar dízimo por todas as coisas que Deus lhe dera (Gen 28,20-22). Os dízimos foram prescritos na Lei Mosaica (Ex 22,29; Lev 27,30-34). Porções dos frutos da terra e do gado deviam ser oferecidas ao Senhor. De três em três anos, os dízimos eram destinados às obras de caridade. Mais tarde, apareceu o costume de dar o dízimo em espécie ou o seu valor para o santuário, onde era entregue aos levitas, como herança ou parte. Estes, por sua vez, davam um décimo de todos os dízimos recolhidos aos sacerdotes (Num 18,21.26-28). Em período de declínio religioso, o pagamento de dízimos era negligenciado. Tal acontecia em Judá, quando o rei Ezequias ordenou que os dízimos fossem pagos (2 Par 31,4-12). Malaquias disse ao povo que eles furtavam de Deus, quando sonegavam os dízimos (Mal 3,8-11). O costume de pagar dízimos continuou até os tempos do Novo Testamento (Lc 18,12), por ex. consta que os escrupulosos fariseus faziam questão de pagar dízimos até das ervas do jardim (Mt 23,23; Lc 11,42). (Dicionário Prático – Barsa, 1965, p. 81).

Champlin e Bentes nos esclarecem que: “O trecho de Gênesis 14:17-20 nos informa sobre o costume, antes da lei mosaica. Sabemos que a prática existia entre os gregos, os romanos, os cartagineses e os árabes” (CHAMPLIN e BENTES, 1995, p. 201).

Uma das passagens citadas como prescrição do dízimo, na verdade, não se refere a ele, mas a uma outra situação, qual seja, o direito consagrado a Deus da primogenitura, o qual estabelecia que devia ser ofertado a Deus todo primogênito, tanto o dos próprios homens, quanto o dos animais. No caso do primogênito do homem, esse poderia ser resgatado; no dos animais não, pois eles eram ofertados em sacrifício a Deus. Isso, ao que nos parece, iniciou-se com Abel (Gn 4,4). Em Ex 13,2, é onde aparece essa determinação para o povo hebreu, repetindo-se mais à frente da seguinte forma:

Ex 13,11-16: “Quando Javé tiver introduzido você na terra dos cananeus e a tiver dado, como jurou a você e a seus antepassados, você reservará para Javé todos os primogênitos do útero materno; e a Javé pertencerá todo primogênito de sexo masculino, também dos animais que você possuir. O primogênito da jumenta, porém, você o resgatará, trocando por um cordeiro. Se você não o resgatar, deverá quebrar-lhe a nuca. Os primogênitos humanos, porém, você os resgatará sempre. Amanhã, quando seu filho lhe perguntar: 'Que significa isso?' Você lhe responderá: 'Com mão forte Javé nos tirou do Egito, da casa da servidão. O Faraó se obstinou e não queria deixar-nos partir; por isso, Javé matou todos os primogênitos do Egito, desde o primogênito do homem até o primogênito dos animais. É por isso que eu sacrifico a Javé todo primogênito macho dos animais e resgato todo primogênito de meus filhos'. Isso servirá como sinal no braço e faixa na fronte, porque Javé nos tirou do Egito com mão forte".

A instituição da primogenitura estava ligada ao acontecimento da morte dos primogênitos dos egípcios, quando Deus liberta o povo hebreu da escravidão no Egito, como uma lembrança daquele feito. Então, não se trata de dízimo, conforme se argumentou.

Mas será que esse dízimo não aparece nunca? Aparece sim, caro leitor. Vamos, agora, ver a passagem em que ele foi instituído:

Lv 27,30-32: Todos os dízimos do campo, seja produto da terra, seja fruto das árvores, pertencem a Javé: é coisa consagrada a Javé... Os dízimos de animais, boi ou ovelha, isto é, a décima parte de tudo o que passa sob o cajado do pastor, é coisa consagrada a Javé”.

Então fica claro que os dízimos foram prescritos na Lei Mosaica como a décima parte dos frutos da terra e do gado, que deveriam ser oferecidos ao Senhor. Deus, por sua vez, doa tais coisas aos levitas, como pagamento pelos serviços prestados (Nm 18,21).

Correta a afirmação de que, a cada três anos, os dízimos eram destinados às obras de caridade:

Dt 14,28-29: A cada três anos você pegará o dízimo da colheita do ano e o colocará nas portas da cidade. Então virá o levita que não recebeu uma parte na herança de vocês, o imigrante, o órfão e a viúva que vivem nas suas cidades, e comerão até ficarem saciados. Desse modo, Javé seu Deus abençoará você em todo trabalho que você realizar”.

Mais uma vez, chamamos a sua atenção para a destinação do dízimo: “comerão até ficarem saciados”; nada para manter na preguiça os líderes religiosos. Paulo, inclusive, dá o exemplo de não viver às custas de ninguém: “Vocês sabem como devem imitar-nos: nós não ficamos sem fazer nada quando estivemos entre vocês, nem pedimos a ninguém o pão que comemos; pelo contrário, trabalhamos com fadiga e esforço, noite e dia, para não sermos um peso para nenhum de vocês. Não porque não tivéssemos direito a isso, mas porque nós quisemos ser um exemplo para vocês imitarem” (2Ts 3,7-9). Na seqüência, ele cria essa máxima: “quem não quer trabalhar, também não coma” (2Ts 23,10).

A informação de que “Mais tarde, apareceu o costume de dar o dízimo em espécie ou o seu valor para o santuário” não tem procedência, pois não há uma só passagem que diz isso, ficando, portanto, evidenciado que interpretam os textos na forma que melhor lhes convém.

Transcreveremos, para elucidar possíveis dúvidas, o passo de Números, capítulo 18, cuja citação nos induz a crer que se permitia pagar o dízimo em dinheiro:

Nn 18,8-32: “Disse mais o SENHOR a Arão: 'Eis que eu te dei o que foi separado das minhas ofertas, com todas as coisas consagradas dos filhos de Israel; dei-as por direito perpétuo como porção a ti e a teus filhos. Isto terás das coisas santíssimas, não dadas ao fogo: todas as suas ofertas, com todas as suas ofertas de manjares, e com todas as suas ofertas pelo pecado, e com todas as suas ofertas pela culpa, que me apresentarem, serão coisas santíssimas para ti e para teus filhos. No lugar santíssimo, o comerás; todo homem o comerá; ser-te-á santo. Também isto será teu: a oferta das suas dádivas com todas as ofertas movidas dos filhos de Israel; a ti, a teus filhos e a tuas filhas contigo, dei-as por direito perpétuo; todo o que estiver limpo na tua casa as comerá. Todo o melhor do azeite, do mosto e dos cereais, as suas primícias que derem ao SENHOR, dei-as a ti. Os primeiros frutos de tudo que houver na terra, que trouxerem ao SENHOR, serão teus; todo o que estiver limpo na tua casa os comerás. Toda coisa consagrada irremissívelmente em Israel será tua. Todo o que abrir a madre, de todo ser vivente, que trouxerem ao SENHOR, tanto de homens como de animais, será teu; porém os primogênitos dos homens resgatarás; também os primogênitos dos animais imundos resgatarás. O resgate, pois (desde a idade de um mês os resgatarás), será segundo a tua avaliação, por cinco siclos de dinheiro, segundo o siclo do santuário, que é de vinte geras. Mas o primogênito do gado, ou primogênito de ovelhas, ou primogênito de cabra não resgatarás; são santos; o seu sangue aspergirás sobre o altar e a sua gordura queimarás em oferta queimada de aroma agradável ao SENHOR! A carne deles será tua, assim como será teu o peito movido e a coxa direita! Todas as ofertas sagradas, que os filhos de Israel oferecerem ao SENHOR, dei-as a ti, e a teus filhos, e a tuas filhas contigo, por direito perpétuo; aliança perpétua de sal perante o SENHOR é esta, para ti e para tua descendência contigo'. Disse também o SENHOR a Arão: 'Na sua terra, herança nenhuma terás e, no meio deles, nenhuma porção terás. Eu sou a tua porção e a tua herança no meio dos filhos de Israel. Aos filhos de Levi dei todos os dízimos em Israel por herança, pelo serviço que prestam, serviço da tenda da congregação. E nunca mais os filhos de Israel se chegarão à tenda da congregação, para que não levem sobre si o pecado e morram. Mas os levitas farão o serviço da tenda da congregação e responderão por suas faltas; estatuto perpétuo é este para todas as vossas gerações. E não terão eles nenhuma herança no meio dos filhos de Israel. Porque os dízimos dos filhos de Israel, que apresentam ao SENHOR em oferta, dei-os por herança aos levitas, porquanto eu lhes disse: No meio dos filhos de Israel, nenhuma herança tereis'. Disse o SENHOR a Moisés: 'Também falarás aos levitas e lhes dirás: Quando receberdes os dízimos da parte dos filhos de Israel, que vos dei por vossa herança, deles apresentareis uma oferta ao SENHOR: O dízimo dos dízimos. Atribuir-se-vos-á a vossa oferta como se fosse cereal da eira e plenitude do lagar. Assim, também apresentareis ao SENHOR uma oferta de todos os vossos dízimos que receberdes dos filhos de Israel e deles dareis a oferta do SENHOR a Arão, o sacerdote. De todas as vossas dádivas apresentareis toda oferta do SENHOR: do melhor delas, a parte que lhe é sagrada. Portanto, lhes dirás: Quando oferecerdes o melhor que há nos dízimos, o restante destes, como se fosse produto da eira e produto do lagar, se contará aos levitas. Comê-lo-eis em todo lugar, vós e a vossa casa, porque é vossa recompensa pelo vosso serviço na tenda da congregação. Pelo que não levareis sobre vós o pecado, quando deles oferecerdes o melhor; e não profanareis as coisas sagradas dos filhos de Israel, para que não morrais'”.

O que julgamos importante destacamos no próprio texto bíblico, exatamente aquilo que vem corroborar tudo quanto estamos dizendo no presente estudo. Nada de dízimo em dinheiro.

Cita-se Ezequias, rei de Judá, ordenando o pagamento do dízimo, que o povo havia negligenciado. A passagem é assim narrada:

2Cr 31,4-12 (=2 Par 31,4-12): O rei ordenou aos habitantes de Jerusalém que dessem a parte dos sacerdotes e levitas, para que eles pudessem dedicar-se à Lei de Javé. Logo que a ordem foi transmitida, os israelitas forneceram com abundância os primeiros frutos do trigo, do vinho, do óleo, do mel e de todos os produtos do campo. E entregaram fartamente o dízimo de tudo. Os israelitas e judaítas que moravam nas cidades de Judá levaram também o dízimo dos bois e ovelhas. Fizeram montes com o dízimo das coisas consagradas a Javé, seu Deus. Começaram a fazer montes no terceiro mês e terminaram no sétimo. Ao verem esses montes, Ezequias e as autoridades bendisseram a Javé e a seu povo Israel. Depois Ezequias pediu a opinião dos sacerdotes e levitas sobre o que fazer com tudo isso. Azarias, chefe dos sacerdotes, da família de Sadoc, disse ao rei: 'Desde que as contribuições começaram a ser trazidas ao Templo de Javé, está sendo possível comermos até ficarmos satisfeitos, e ainda sobra com fartura, pois Javé abençoou o seu povo. E esse montão de coisas é sobra'. Ezequias mandou, então, construir depósitos no Templo de Javé. E assim fizeram. Depois carregaram os donativos, o dízimo e outras oferendas, com toda a honestidade. O chefe da turma era o levita Conenias, ajudado por seu irmão Semei”.

A passagem não tem nada a ver com o que querem dela retirar. Até aqui não há nenhuma passagem em que se dá dízimo em dinheiro; ele é apenas o produto do campo.

E em relação ao que aconteceu no tempo de Malaquias, nós já comentamos antes o passo citado (Ml 3,8-11).

Ao afirmarem, no final da explicação, que “O costume de pagar dízimos continuou até os tempos do Novo Testamento (Lc 18,12), por ex. consta que os escrupulosos fariseus faziam questão de pagar dízimos até das ervas do jardim (Mt 23,23; Lc 11,42)”, tentam nos levar a crer que se pagava o dízimo de tudo. Vejamos como diverge, nas várias traduções bíblicas, o texto da passagem de Lc 18,12:

Pastoral: “Eu faço jejum duas vezes por semana, e dou o dízimo de toda a minha renda”.

Barsa: “Jejuo duas vezes na semana: pago o dízimo de tudo o que tenho”.

Novo Mundo: “Jejuo duas vezes por semana, dou o décimo de todas as coisas que adquiro”.

Ave Maria: “Jejuo duas vezes na semana e pago o dízimo de todos os meus lucros”.

Shedd: “Jejuo duas vezes por semana e dou o dízimo de tudo quanto ganho”.

Nessas cinco Bíblias estão resumidas todas as variações da narrativa do texto em questão. Parece-nos que os tradutores se esforçaram para incutir no leitor a idéia de que de tudo se devia pagar o dízimo; pois este é o papel deles, que, via de regra, defendem, mesmo que inconscientemente, o que ouvem pregando em suas igrejas.

Recorreremos a Champlin, que nos explica esse passo:

Os fariseus também caíam quanto à questão do dízimo, chegando a dar os dízimos até mesmo da menta, do anis e do cominho. A menta era uma planta de aroma suave, que algumas vezes era espalhada nos soalhos das casas e das sinagogas a fim de dar seu aroma suave, provendo uma atmosfera mais agradável. Também era usada como condimento, ao passo que o anis e o cominho (que eram sementes aromáticas) eram usadas como tempero, ou, noutras vezes, como medicamento. A lei original exigia que somente os produtos agrícolas fossem dizimados (ver Deut. 14:22,23). (CHAMPLIN, vol. 2, 2002, p. 176).

Vale a pena repetir esse testemunho: “A lei original exigia que somente os produtos agrícolas fossem dizimados”, sem mais perguntas sr. Juiz. Uai! Por que falamos assim se não estamos num júri?! Xii, saiu sem querer...

Até que enfim, vamos encontrar uma explicação bem próxima da realidade; pensávamos que não a iríamos encontrar. Leiamo-la:

DÍZIMO. Era a contribuição obrigatória, entregue ao santuário para sustentar os sacerdotes e levitas (Nm 18,21-32), os pobres, os órfãos e as viúvas (cf. Dt 14,22-29; Tb 1,7s e notas). A contribuição referia-se à décima parte dos cereais, do vinho e do azeite. Os fariseus pagavam, porém, o dízimo até dos produtos mais insignificantes, como as hortaliças (Mt 23,23). (Bíblia Sagrada – Vozes, p. 1521)

Aqui, então, temos a confirmação do que estamos falando desde o início deste estudo. Parabéns aos tradutores pela honestidade demonstrada nessa explicação!

Mais uma elucidação sobre o dízimo:

IV. Elemento da Doutrina do Dízimo sob a Lei

Antes da lei, os dízimos já existiam, embora não parecesse fazerem parte regular do culto religioso. Em outras palavras, não havia preceito que requeresse o dízimo como um processo contínuo e específico. Porém, não se pode duvidar de que o dízimo era praticado pelos patriarcas, antes mesmo de sua instituição legal. Os dízimos passaram então a ser usados dentro do sistema de sacrifícios, como parte do culto prestado a Yahweh, para sustento dos sacerdotes levíticos; e, provavelmente, esses fundos também eram usados para ajudar os pobres, em suas necessidades. Há alusões a esse uso dos dízimos no tocante a deuses pagãos, como Júpiter, Hércules e outros (Her. Clio, sive 1,1, c. 89; Varro apud Macrob. 1:3, c. 12). Quem já não prometeu alguma coisa a Deus, se pudesse realizar isto ou aquilo? Conforme minha mãe costumava dizer: “Algumas vezes, isso funciona; mas, de outras vezes, não”.

1. Coisas que eram dizimadas. Colheitas, frutas, animais do rebanho (Lev. 27:30-32). Não era permitido escolher animais inferiores. Ao passarem os animais para pastagem, de cada dez, um era separado como o dízimo (Lev. 27:32 ss). Produtos agrícolas podiam ser retidos, se o equivalente em dinheiro fosse dado; mas, nesse caso, um quinto adicional tinha de ser oferecido. Contudo, não era permitido remir uma décima parte dos rebanhos de gado ovino e vacum, desse modo, uma vez que os animais tivessem sido dizimados (Lev. 27:31,33). Certa referência neotestamentária, em Mat. 23:23 e Luc. 11:42; de dízimos sobre a hortelã, o endro e o cominho, reflete um exagerado desenvolvimento da prática do dízimo, em tempos judaicos posteriores. Comentamos sobre isso, detalhadamente, no NTI, in loc. As passagens de Deu. 12:5-19; 14:22.29 e 26:12.15 falam sobre algumas modificações quanto à lei sobre o dízimo. O trecho de Amós 4:4 mostra que o legalismo e os abusos contra o dízimo já haviam invadido a prática.

A Mishna (Maaseroth 1:1) informa-nos de que tudo quanto era produzido e usado em Israel estava sujeito ao dízimo, e isso era exagerado ao ponto de incluir os mais ínfimos produtos.

2. Que dízimos eram dados e a quem. A legislação acima mencionada, dentro do livro de Deuteronômio, dá orientações específicas sobre como e a quem os dízimos deveriam ser entregues. Originalmente, os dízimos eram dados aos levitas (Núm. 18:21 ss), tendo em vista a manutenção dos ritos religiosos. Mais tarde, isso ficou mais complexo ainda. Os dízimos eram levados aos grandes religiosos. Quando convertidos em dinheiro, os dízimos eram postos em mãos apropriadas, para serem gerenciados (Lev. 14:22-27). Ao fim de três anos, todos os dízimos que tivessem sido recolhidos eram levados ao lugar próprio de depósito, e seguia-se então uma grande celebração. Os estrangeiros, os órfãos, as viúvas (os membros mais carentes da sociedade) eram assim beneficiados, mediante essa prática, juntamente com os levitas (Lev. 14:28,29). Cada israelita precisava desempenhar a sua parte nessa questão dos dízimos, a fim de ser cumprido o mandamento divino (Lev. 26:12-14).

3. Sumário dos regulamentos. a. Uma décima parte dos dízimos recolhidos era usada no sustento dos levitas. b. Disso, uma décima parte era dada a Deus, para ser usada pelo sumo sacerdote. c. Aparentemente havia um segundo dízimo, usado para financiar as festas religiosas. d. Um terceiro dízimo, ao que parece, era destinado aos membros menos afortunados da sociedade, o que ocorria a cada três anos. Alguns intérpretes, porém, supõem que o segundo e o terceiro dízimos eram o mesmo dízimo ordinário, embora distribuídos de modos diferentes. E, nesse caso, estava envolvido apenas um dízimo adicional, e isso somente de três em três anos. No entanto, nos escritos de Josefo temos informes de que, na verdade, havia três dízimos separados: um para a manutenção dos levitas; outro para a manutenção das festas religiosas; e, a cada três anos, para sustento dos pobres. Tobias 1:7,8 é um trecho que dá a entender a mesma coisa. Entretanto, há uma referência nos escritos de Maimônides que diz que o segundo dízimo do terceiro e do sexto ano era distribuído entre os pobres e os levitas; e, em face desse comentário, retornamo-nos à outra idéia que fala em apenas dois dízimos distintos, embora distribuídos de modos diferentes.

Dízimos sobre os animais usados nos sacrifícios. Esses eram consagrados a Yahweh, pelo que tinham um lugar especial entre os dízimos, estando diretamente envolvidos no sistema de sacrifícios e ofertas.

4. Lugares para onde eram levados os dízimos. O principal desses lugares era Jerusalém (Deu. 12:5 ss; 17 ss). Uma cerimônia era efetuada nessa ocasião (Deu. 12:7,12), sob a forma de uma refeição. Se um homem não pudesse transportar a sua produção, ele podia substitui-la por dinheiro (Deu. 14:22-27). A cada três anos, os dízimos podiam ser depositados no próprio local onde o homem habitasse (Deu. 14:28 as). Mas, nesse caso, o indivíduo ainda precisava viajar até Jerusalém, a fim de adorar ali (Deu. 26:12 ss). (CHAMPLIN e BENTES, 1995, p. 202).

Conforme já vimos anteriormente, não havia dízimo em dinheiro, somente produtos agrícolas, os quais poder-se-ia resgatar, caso houvesse interesse; mas isso é completamente diferente do que pagar dízimo em moeda corrente. Em Lv 27,31 previa-se o resgate do dízimo dos produtos do campo, devendo pagar vinte por cento além do valor dele. No caso do primogênito dos animais, também poderia haver o resgate (Nm 18,15-16); mas, conforme nosso entendimento, isso é outra coisa, que não é dízimo.

A conversão em dinheiro, citando Lv 14,22-27, não existe; talvez os autores tenham-se equivocado ao mencionar a passagem; é bem provável que seja Dt 14,22-27, que já comentamos anteriormente.

E mais uma vez é relacionado o dízimo a uma cerimônia sob a forma de uma refeição, o que tira dele qualquer sentido pecuniário, ressalvados os casos de resgate, onde realmente era permitido substituir o dízimo por dinheiro, conforme já falamos.

 

 

Conclusão

Acreditamos que, se fosse para cumprir o que determina a Bíblia, somente os produtores rurais deveriam pagar o dízimo; fora disso é pura extrapolação, ou melhor, exploração.

Logo, nos dias de hoje, não caberia oferta do dízimo em decorrência do exercício das atividades da época atual, ainda que assemelhadas às existentes nas respectivas épocas dos textos bíblicos, que não estavam neles incluídos como, por exemplo, artesãos, marceneiros, comerciantes, advogados, professores, funcionários públicos, etc....

O que observamos na liderança religiosa, é que ela usa da dificuldade de entendimento dos textos bíblicos a seu próprio favor. Sabendo que a esmagadora maioria das pessoas não consegue, em muitos passos bíblicos, uma compreensão plena, essa liderança se aproveita disso para passar o seu próprio entendimento, e é aceito sem um mínimo de questionamento. Com essa questão do dízimo, isso fica muito claro para nós.

Mas vejamos o que ainda Champlin e Bentes disseram sobre o assunto:

V. O Dízimo no Novo Testamento

Algumas pessoas conseguem fazer os dízimos parecerem obrigatórios, dentro da economia cristã, e encontram textos de prova, no Novo Testamento, para justificar essa prática. Mas outros não podem encontrar a idéia do dízimo obrigatório no período do Novo Testamento, julgando que essa prática é uma pequena exibição de legalismo, do que os crentes estão isentos. De certa feita, ouvi um sermão que tinha o propósito de impor a obrigatoriedade do dízimo aos crentes do Novo Testamento, por meio de trechos do Novo Testamento. O pregador usou a passagem de Lucas 11:42. Jesus repreendeu os fariseus, porque tinham o cuidado de dizimar sobre pequenas questões legais, embora desconsiderassem as questões realmente importantes, como a justiça e o amor. Essas questões mais importantes, pois, eles deveriam pôr em prática, sem desconsiderar as coisas menos importantes. É evidente que Jesus reconhecia a natureza obrigatória dos dízimos, no caso da nação de Israel, mas está longe de ser claro que isso envolvia até mesmo a Igreja Cristã. Normalmente, os teólogos concordam que o Novo Testamento é um pacto de liberdade, e que cada crente deve dar a Deus conforme o Senhor o fizer prosperar, sem ser obrigado, contudo, a contribuir com somas específicas (1 Cor. 16:1,2). Entretanto, esse texto não assevera diretamente como a Igreja cristã deve contribuir, porquanto envolve, especificamente, uma coleta especial, feita para ajudar os santos pobres de Jerusalém. Apesar disso, alguns estudiosos supõem que essa instrução paulina serve de princípio geral quanto aos dízimos no seio do cristianismo. O fato, porém, é que o Novo Testamento não nos dá qualquer instrução direta sobre a questão dos dízimos, embora frise a questão da generosidade, uma parte da lei do amor, no tocante a todas as nossas ações e culto religioso. Muitos intérpretes pensam que o silêncio do Novo Testamento é proposital, dando isso a entender que o crente não está sob a lei, incluindo a regulamentação sobre os dízimos; antes, deveria ele ser guiado pela lei do Espírito. Ainda outros eruditos opinam que o silêncio das Escrituras, nesse caso, é circunstancial, pelo que não teria qualquer significado. Nesse caso, poderíamos supor que a legislação veterotestamentária continua a vigorar nos dias do Novo Testamento. Isso entretanto, é uma precária proposição teológica, se levarmos em conta tudo quanto Paulo disse sobre o fato de que não estamos debaixo da lei. (CHAMPLIN e BENTES, 1995, pp. 202-203).

Assim, podemos ver que não há como se apoiar em alguma passagem do Novo Testamento para justificar o dízimo, especialmente da forma como o cobram nos dias de hoje, que, na verdade, nem mesmo poder-se-á apoiar a sua cobrança em textos do Antigo Testamento. Fazemos nossas as seguintes palavras desses dois autores: “De fato, do ponto de vista teológico, não posso ver como poderíamos considerar o dízimo obrigatório para a Igreja cristã” (CHAMPLIN e BENTES, 1995, p. 203).

A única passagem em que poderemos ver algo mais positivo a respeito é em Hebreus: “Segundo a lei de Moisés, os descendentes de Levi, que se tornam sacerdotes, devem cobrar o dízimo do povo, isto é, dos seus irmãos, embora estes também sejam descendentes de Abraão” (Hb 7,5). Mas, como podemos observar, o autor desse livro, aliás, um ilustre desconhecido, muito bem observou “lei de Moisés”, não Lei de Deus. Para corroborar essa questão, vamos ver o que o historiador hebreu Flávio Josefo (37-103 d.C.), que viveu naquela época, disse sobre isso:

De medo que a tribo de Levi, vendo-se isenta da guerra, só se ocupasse nas coisas necessárias para a vida e descuidasse do serviço de Deus, Moisés determinou que, depois que se tivesse conquistado o país de Canaã, se dariam a essa tribo quarenta e oito das melhores cidades de todas as terras que se encontrassem, não distante mais de duas milhas e, que o povo lhe pagaria todos os anos e aos sacrificadores a décima parte dos frutos que recolhesse, o que foi depois inviolavelmente cumprido. (JOSEFO, 2003, p. 112).

O que mais nos deixou surpreso nesse relato de Josefo é que o dízimo era anual (Dt 24,22-23), não um pagamento que é exigido em quase toda vez que o cliente, digo, fiel for à igreja, como acontece atualmente. Eis, mais um importante testemunho que confirma, mais uma vez, que o dízimo não é sobre renda alguma, mas sobre os frutos recolhidos a cada colheita. Fato que ainda podemos confirmar em Borg e Crossan: “Os impostos locais, comumente chamados de 'dízimos', eram sobre a produção agrícola” (BORG e CROSSAN, 2007, p. 34)

Certamente que vemos a necessidade de recursos para se manterem as igrejas, para se cobrirem despesas como: luz, água, funcionários e material de limpeza, aluguel, obras sociais, etc., que não há como fazer, senão pela contribuição dos que freqüentam aquela denominação religiosa. Mas tudo dentro das possibilidades de cada um, sem extorsão, como, infelizmente, vemos por aí. Quem pode dar mais que dê, da mesma forma que quem não puder dar nada, não se sinta obrigado a dar o que não tem.

Entretanto, como Champlin e Bentes bem perceberam:

Atualmente, vemos o espetáculo de missionários evangélicos que constroem para si mesmos grandes mansões, lares luxuosos, etc. Quando isso sucede, sabemos que o dinheiro está sendo empregado egoisticamente, e não para o serviço do Senhor. Há uma grande diferença entre o altruísmo e o egoísmo; mas alguns missionários evangélicos parecem nunca ter aprendido a diferença. Direi agora o que penso sobre tudo isso. O próprio fato de que há crentes disputando sobre se devem contribuir ou não com uma miserável parcela de dez por cento mostra o baixo nível de espiritualidade em que se encontram. Quanto maior for a espiritualidade de um crente, maior será a sua liberalidade para com o dinheiro com que contribui para a causa do evangelho, ou com que alivia as necessidades das pessoas ao seu redor. (CHAMPLIN e BENTES, 1995, p. 203).

Portanto, mesmo sendo voluntárias e não obrigatórias, devemos ter bastante cautela ao fazermos nossas doações, para que assim não fiquemos engordando parasitas, que só se preocupam com o seu próprio ego. Pedro já nos alertara sobre esses falsos profetas dizendo: “Muitos seguirão suas doutrinas dissolutas e, por causa deles, o caminho da verdade cairá em descrédito. Levados pelo amor ao dinheiro, procurarão, com palavras enganosas, fazer de vocês objeto de negócios” (2Pe 1-3).

 

 

 

 

Referências bibliográficas

A Bíblia Anotada. 8ª ed. São Paulo: Mundo Cristão, 1994.

Bíblia Mensagem de Deus - Novo Testamento. São Paulo: Loyola, 1984.

Bíblia Sagrada. 68ª ed. São Paulo: Ave Maria, 1989.

Bíblia Sagrada, Edição Barsa. s/ed. Rio de Janeiro: Catholic Press, 1965.

Bíblia Sagrada, Edição Pastoral. 43ª imp. São Paulo: Paulus, 2001.

Bíblia Sagrada, 37a. ed. São Paulo: Paulinas, 1980.

Bíblia Sagrada, 5ª ed. Aparecida-SP: Santuário, 1984.

Bíblia Sagrada, 8ª ed. Petrópolis-RJ: Vozes, 1989.

Bíblia Shedd, 2ª ed. São Paulo: Vida Nova; Barueri, SP: SBB, 1997.

Bíblia de Jerusalém, nova edição. São Paulo: Paulus, 2002.

Bíblia do Peregrino. s/ed. São Paulo: Paulus, 2002.

Bíblia Sagrada, s/ed. Brasília – DF: Sociedade Bíblica do Brasil 1969.

Escrituras Sagradas, Tradução do Novo Mundo das. Cesário Lange, SP: STVBT, 1986.

BORG, M. J. e CROSSAN, J. D. A última semana, Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2007.

CHAMPLIN, R. N. e BENTES, J. M. Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia, Vol. 2, São Paulo: Candeia, 1995.

CHAMPLIN, R. N. O Novo Testamento interpretado versículo por versículo, vol. 1 e vol. 2, São Paulo: Hagnos, 2002.

JOSEFO, F. História dos Hebreus, Rio de Janeiro, CPAD, 2003.

MONLOUBOU, F. e DU BUIT, F. M. Dicionário Bíblico Universal, Petrópolis, RJ: Vozes; Aparecida, SP: Santuário, 1997.

PASTORINHO, C. T. Sabedoria do Evangelho, vol. 5, Rio de Janeiro: Sabedoria, 1964.

 

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EXPRESSÕES E PALAVRAS DESFIGURADAS NA BÍBLIA

 

Estamos vivendo uma fase de intensa reformulação dos textos bíblicos. A "Palavra de Deus" vem sendo alterada, modificada e muitas vezes arranjada, de acordo com os interesses dos homens. Já existe mesmo uma tradução da Bíblia que se diz aceitável pelos materialistas. A velha discussão sobre a Vulgata Latina levou os novos tradutores a recorrerem ao texto hebraico. A tradução clássica do padre Figueiredo, segundo a Vulgata, é acusada de suspeitas, preferindo-se a do padre Almeida, que como vimos, também já foi modificada. O religioso esclarecido sabe muito bem que as versões antigas da Bíblia estão superadas. Mas há os que nada entendem e consideram o velho livro como intocável e imutável. Esses acreditam cegamente nas pretensas condenações ao Espiritismo. Para eles, só podemos repetir as palavras de Jerônimo de Praga, quando uma velhinha beata levou mais uma acha de lenha para a fogueira em que o queimaram: "Sancta Simplicitas".

A tradução dinamarquesa da Bíblia não trata dos dons espirituais. O teólogo Haraldur Nielsson explica-nos a razão dessa aparente discrepância. Pasmem os defensores do dogma da graça, que consideram Deus como chefe do partido a que pertencem! O tradutor categorizado da Bíblia para o islandês, o rev. Nielsson, que fez a tradução a serviço da Sociedade Bíblica Inglesa, declara: "No texto grego está a palavra Espíritos e não a expressão Dons Espirituais". E acrescenta: "Em muitas traduções da Bíblia, esta passagem foi verificada de maneira confusa apesar de não haver a menor dúvida quanto à verdadeira significação dos termos gregos do texto original: "epei zelotai este pneumaten".

Nielsson adverte ainda que os tradutores e revisores da Bíblia nem sempre tiveram a coragem de traduzir com exatidão os textos originais que se referem claramente à comunicação dos Espíritos. E faz, corretamente, uma grave denúncia: "Os teólogos prenderam os seus sistemas em pesadas e estreitas cadeias". A Bíblia, estudada segundo o espírito que vivifica, sem os prejuízos da letra que mata, revela a sua face espirítica e por tanto mediúnica, como o demonstra o rev. Nielsson e como afirmou Kardec. Trataremos mais amplamente dos Dons Espirituais.

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Quinta-feira, 25 De Março,2010

COMO OS HOMENS CONSEGUEM AMOLDAR A PALAVRA DE DEUS

Entre as curiosas contradições dos que aceitam a Bíblia como a palavra de Deus, podemos citar o caso das alterações do texto, com a finalidade de adaptá-lo a interesses sectários. Essas alterações vêm de longe e constituem um dos campos mais interessantes dos estudos bíblicos. Kardec menciona, no capítulo quarto de O Evangelho Segundo o Espiritismo, uma referência livre de Jó à reencarnação, que aparece modificada na tradução católica de Sacy (francesa), na tradução protestante de Osterwald e na tradução da Igreja Ortodoxa Grega. Nesta última, que é a mais próxima do texto original, o princípio da reencarnação está evidente. Outra citação de Kardec, no mesmo capítulo, é de Isaías (Cap. 26, vers. 19) em que a expressão bíblica é bastante clara: "os teus mortos viverão; os meus, a quem deram vida, ressuscitarão". Essa passagem, como outras, é adaptada nas traduções, para esconder a crença dos profetas na reencarnação. O texto de Jó (Cap. 15, vers. 10-14), aparece desta maneira na versão grega ortodoxa: "Quando o homem está morto, vive sempre; findando-se os dias da minha existência terrestre, esperarei, porque a ela voltarei novamente". Temos aí uma síntese admirável do princípio da reencarnação, de pleno acordo com o Espiritismo: morto o homem, não fica enterrado, mas ressuscita no corpo espiritual, como ensina o apóstolo Paulo. Ressuscitado, espera no mundo espiritual o momento de voltar à vida terrena, a fim de prosseguir no seu desenvolvimento. Todas as alterações, como se vê, caem fragorosamente diante dos estudos críticos da Bíblia, que revelam o verdadeiro sentido dos textos desfigurantes. E cada alteração corrigida mostra que os textos originais confirmam os princípios do Espiritismo. Mas as alterações não se deram apenas no passado. Dão-se agora mesmo, aos nossos olhos. Examine o leitor a última edição da Bíblia feita pela Sociedade Bíblica do Brasil e impressa em São Paulo, nas oficinas da "Impress". A tradução portuguesa é a clássica, de João Ferreira de Almeida, mas "revista e atualizada no Brasil". A revisão implicou a mudança de palavras, às vezes com a finalidade de enquadrar o Espiritismo nas condenações bíblicas às práticas da antiga magia. É assim que, em l Samuel, como título do Cap. 28, encontramos o seguinte: "Saul consulta a médium de En-Dor". E também no texto a palavra espírita "-médium" foi incluída. Mas no Cap. 18 de Deuteronômio foram conservadas as expressões antigas: "adivinhos e feiticeiros". Que diria disso o bom padre Almeida? Como se vê, a palavra de Deus é moldada pelos homens, conforme as suas conveniências. Visão Espírita da Bíblia J. Herculano Pires

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Quarta-feira, 24 De Março,2010

EXPERIÊNCIAS PRÓXIMAS À MORTE

 

Em meados dos anos 70, a investigação científica da vida após a morte ganhou um novo e poderoso aliado com as pesquisas do dr. Raymond Moody Jr. envolvendo pessoas consideradas clinicamente mortas.

A preocupação em desvendar o que existe depois da morte talvez seja uma das mais antigas da história humana, originando vários tratados filosóficos, esotéricos, religiosos, científicos e uma infinidade de discussões. Contudo, nos anos 70 do século XX, essas discussões começaram a pisar em terreno mais firme com a publicação do livro Vida Depois da Vida (Life After Life, 1975), do psicólogo e filósofo Raymond Moody. Nesse trabalho, ele apresentou dezenas de relatos fornecidos por pacientes que, durante alguns minutos, foram declarados como clinicamente mortos, e voltaram a viver.

Esse tipo de acontecimento ficou conhecido como EPM (Experiências Próximas à Morte), ou ainda EQM (Experiências de Quase-Morte). O dr. Moody deixou claro que não estava tentando provar a existência da vida depois da morte e nem considerava que fosse isso possível, pelo menos no atual estágio das pesquisas científicas. Outros estudiosos da área, como a dra. Elisabeth Kubler-Ross, receberam o livro com grande entusiasmo, acreditando que as experiências ali apresentadas confirmavam o que o espiritualismo vem afirmando há milhares de anos: existe vida após a morte.

Hoje, a descrição básica do que acontece com esses pacientes é mais conhecida graças à quantidade de livros e também de filmes que trataram do tema. Segundo o dr. Moody, nas EPMs existem inúmeros pontos de similaridade, independentemente das pessoas envolvidas, de seu grau de conhecimento ou cultura. "Tenho recebido relatos da China, Japão, Índia", explica Raymond Moody, "de pacientes e médicos que estudaram inúmeros casos. Existem antropólogos que encontraram EPMs em populações que sequer conheciam a escrita. As experiências eram muito parecidas com aquelas presenciadas nos prontos-socorros das grandes cidades".

O médico e pesquisador identificou quinze elementos presentes em quase todos os relatos, mas ressaltou que, apesar da semelhança, não existem dois exatamente iguais. Da mesma forma, ninguém chegou a vivenciar todos os quinze – algumas pessoas identificaram no máximo doze – e a ordem em que surgiram nem sempre foi a mesma.

Estágios

Os quinze elementos ou estágios que o dr. Moody encontrou e que são apresentados em seu livro Vida Depois da Vida são:

Inefabilidade – as pessoas costumam dizer que não conseguem explicar o que sentiram. O dr. Moody entende que a compreensão da linguagem depende de uma série de vivências comuns das quais todos participam. Como a EPM não faz parte de nosso dia-a-dia, os que passaram por ela não sabem como explicar a experiência pela qual passaram.

Ouvir a notícia – é comum alguém acidentado ou em uma mesa de operações ouvir o médico ou outra pessoa no local declará-lo morto.

Sentimentos de paz e quietude – geralmente, após um momento de dor causada por um grave ferimento ou outro problema físico, a pessoa tem uma sensação extremamente agradável logo no primeiro estágio da experiência.

O ruído – os primeiros momentos podem ser acompanhados de ruídos desagradáveis ou sons de campainha muito altos. Em alguns casos, esses ruídos podem ser agradáveis, até mesmo algum tipo de música.

O túnel escuro – certas pessoas sentiram, junto com os ruídos, a sensação de estarem sendo puxadas por um túnel escuro e longo, ou através de um espaço vazio, negro.

Fora do corpo – após a experiência no túnel escuro a pessoa sente-se fora do corpo, olhando para sua forma física como se fosse outra pessoa. Ela também percebe tudo que acontece à sua volta, e o estado emocional varia de pessoa para pessoa: alguns ficam confusos e preocupados, querendo voltar ao corpo, mas sem saber como; outros não sentem medo e se dão conta do que está acontecendo, mantendo-se calmos. É comum a pessoa perceber que está morta e notar as qualidades de seu novo "corpo", que ninguém vê, e que começa a flutuar. A pessoa também pode ter uma noção do tempo totalmente diferente.

Encontrando outras pessoas – muitos dos que passaram pela EPM tiveram consciência de que outras pessoas ou o que chamaram de "seres espirituais" estavam no local para ajudar na passagem para o outro lado, ou para dizer que a hora da pessoa ainda não havia chegado. Alguns encontraram familiares ou amigos que tiveram em vida; outros viram pessoas totalmente desconhecidas.

O ser de luz – o encontro com a Luz é considerado o elemento mais marcante das experiências. Ela surge como uma suave claridade que se vai  intensificando até tornar-se totalmente brilhante, mas sem prejudicar a visão. Essa Luz é descrita como um ser, do qual emana um amor impossível de ser descrito e que atrai as pessoas de forma irresistível. Nesse caso específico, a descrição do ser varia de acordo com as crenças religiosas. Em seguida, a entidade começa a se comunicar, a perguntar o que a pessoa fez de sua vida sem o menor tom recriminatório. Isso acontece por intermédio do pensamento, sem que seja possível qualquer engano ou mentira na comunicação.

A recapitulação – o contato com o ser de luz desencadeia uma recapitulação visual da vida da pessoa, não com o objetivo de julgar ou de conhecê-la, mas para provocar uma reflexão. Além das imagens serem extremamente reais, ela surgem todas de uma vez, como se toda uma vida se passasse num instante.

A barreira ou limite – muitos relataram a impressão de estar se aproximando de uma espécie de barreira ou fronteira que, dependendo da pessoa, se apresentava de forma diferente: uma porta, uma névoa, uma extensão de água.

Regresso – o momento em que se inicia a volta ao corpo físico geralmente é o mais complicado. Após os momentos iniciais, em que existe a vontade de retornar ao corpo físico, no restante da experiência as pessoas se acostumam ao ambiente e chegam a não querer mais voltar. Essa situação é acentuada nos que vêem o ser de luz.

Contar aos outros – quem passa por uma EPM não a descreve como um sonho, mas como uma experiência real e importante. A pessoa também entende que seus relatos, de forma geral, não serão bem aceitos pelos outros, e muitas vezes ela se cala para não ser considerada louca. Alguns preferem não falar sobre o assunto por achar que a experiência pela qual passaram não pode ser descrita pela nossa linguagem.

Efeito sobre a vida – apesar da resistência em falar sobre o assunto, a maioria sente que suas vidas foram modificadas, ampliadas pela experiência. Elas passam a buscar um sentido mais espiritual ou dão mais valor à existência humana, e quase todas ressaltam a importância de cultivar o amor pelo próximo.

Nova visão da morte – geralmente, quem passa pela EPM deixa de ter medo da morte física. Não que elas procurem a morte ou deixem de temer o sofrimento que certas formas de morrer podem causar – elas perdem o medo do que vai acontecer depois. O suicídio também é desaconselhado por todas como forma de chegar ao lugar do qual tiveram um vislumbre. Elas passam a ver a vida pós-morte como uma continuação desta, na qual as pessoas seguem aprendendo.

Corroboração – uma questão importante se refere à possibilidade de obter provas de que a pessoa realmente teve uma EPM. Na pesquisa do dr. Moody, ele obteve vários relatos de gente que soube repetir tudo o que estava acontecendo à sua volta durante a EPM e, em alguns casos, até em aposentos distantes.

Críticas

Alguns médicos e cientistas dizem que a experiência de quase-morte é só o resultado da falta de oxigênio no cérebro, mas o dr. Moody não concorda. "Também pensei que fosse isso", ele explica. "Sei de muitos médicos do mundo todo que investigaram o fenômeno partindo desse princípio, mas depois de falar com os pacientes, todos acabaram mudando de opinião. A definição clássica de alucinação implica que a pessoa esteja vendo ou ouvindo algo que não existe. Nas experiências próximas à morte tivemos vários casos de pacientes que, enquanto estavam fora do corpo, observavam o que ocorria fora da sala. Isso não poderia ser explicado por um mero efeito fisiológico ou bioquímico".

Ultimamente, o número de relatos sobre as EPMs aumentou consideravelmente e, segundo o dr. Moody, isso se deve ao avanço médico e às refinadas técnicas de ressuscitação. O dr. Fred Schoonmaker, chefe de medicina cardiovascular do maior hospital de Denver, entrevistou um grande número de pacientes que ele próprio ressuscitou, e descobriu que 60% haviam tido a experiência. “Pode-se comparar esse número”, ele explica, “com o do levantamento dos drs. Ken Ring e Mike Sabom. Eles estudaram um grupo de pacientes que, embora inconscientes e perto da morte, apresentavam um quadro clínico menos grave. Nesse grupo, 45% tiveram as experiências”.

Os dados podem ser importantes, segundo o dr. Raymond Moody, mas não ajudam a entender por que alguns têm a experiência e outros não. “Os fatores que poderiam estar correlacionados – como idade, doença ou traumatismo que quase levou à morte, sexo, crença religiosa e assim por diante – não parecem fazer qualquer diferença. Num estudo realizado há alguns anos, o dr. Bruce Grayson reuniu algumas evidências de que um fator decisivo é o paciente se entregar ou não no momento. Ele acredita que certos pacientes chegam a um ponto em que simplesmente aceitam a morte, e são estes que vivem a plenitude da experiência”.

Vidas Passadas

Ultimamente, o dr. Raymond Moody tem se dedicado bastante ao estudo da regressão a vidas passadas e desenvolveu sua própria teoria sobre a reencarnação, que ele entende como uma metáfora e à qual se refere com certo cuidado. “Eu não sei se reencarnação existe de fato”, ele explica. “Do ponto de vista científico, das evidências, não posso afirmar que sim, nem que não. Do ponto de vista dos meus sentimentos e intuição, eu diria que existe. Na dimensão em que vivemos, usamos uma forma linear de expressão e para elaborar conceitos. Conceitos como linha do tempo, causa e efeito, etc. são completamente diferentes. Talvez a reencarnação seja um processo muito mais complexo do que possamos imaginar”.

O dr. Moody também diz ter visto a regressão a vidas passadas fazer muito bem às pessoas. “Quando comecei a estudar o assunto eu abordava a regressão como um estado alterado de consciência e me surpreendi quando, ao me aprofundar, vi pessoas que passaram pelo processo, se sentirem muito beneficiadas, entendendo melhor certas dificuldades e conflitos que têm na vida”.

Mas o foco central de seu trabalho continua sendo as experiências de quase-morte. Mais de vinte e cinco anos após a publicação de seu primeiro livro sobre o assunto, Raymond Moody acredita que a sociedade está aceitando a discussão do tema com mais facilidade. “Estive recentemente em oito países da Europa e, em cada um, médicos me trouxeram artigos que tinham escrito para publicações científicas locais relatando suas pesquisas com EPMs.”

O próximo passo deverá ser a interpretação das experiências, ou seja, entender seu verdadeiro significado. “Isso nem é um assunto para a comunidade médica resolver”, ele entende. “Não cabe aos médicos definir se existe vida após a morte. O que interessa à medicina é que, independentemente  das interpretações que se dê às EPMs, elas realmente ocorrem. Nós devemos estar preparados para discutir o fato com os pacientes e lhes dar todo o apoio possível”.

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publicado por SÉRGIO RIBEIRO às 01:38
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Segunda-feira, 22 De Março,2010

VERDADEIROS FILHOS DE DEUS

 

Pela Bíblia nós somos chamados de filhos adotivos de Deus. Mas isso não é pelo sangue de Jesus derramado na cruz, e sim, pelo fato de nós espíritos termos nos tornado, também, seres biológicos ou que se encarnam. Igualmente Jesus, encarnado, é Filho adotivo de Deus, apesar de, segundo a Bíblia, ser também filho adotivo de São José. Aliás, Jesus é conhecido por ser o Filho do homem, exatamente por se ter encarnado, nascendo de mulher (São Mateus, 11,11). E Ele é cognominado também de Filho de Deus, porque, no Oriente Médio, por influências mitológicas e folclóricas, dava-se às pessoas notáveis esse título, E, é óbvio, ninguém mais do que Jesus merecia ser chamado de Filho de Deus!
 
Teólogos há que afirmam que nós somos apenas filhos adotivos de Deus. Biologicamente falando, estão certos. Mas eles distinguem a nossa filiação divina da de Jesus, quando foi o próprio Jesus que nos ensinou que Deus é nosso Pai, verdade essa explícita na oração do “Pai-Nosso”. Nós somos essencialmente espíritos, já existindo antes de entrarmos na carne, na concepção.Essa doutrina da preexistência do espírito existia no cristianismo primitivo e é bíblica: “Antes que eu te formasse no ventre materno, eu já te conheci” (Jereminas 1,5). “Somos de ontem e nada sabemos” (Jó 8,9). A reencarnação (ressurreição na linguagem bíblica) pressupõe essa preexistência do espírito. Quando o espírito reencarna, ele ressuscita na carne. Quando os nossos corpos morrem, os espíritos que somos ressuscitam no mundo espiritual, donde nós viemos (Eclesiastes 12,7) e donde não sairemos mais - a não ser que o queiramos -, ao nos tornarmos vencedores do mundo (Apocalipse 3,12).
 
Nós - como seres biológicos - tornamo-nos filhos adotivos de Deus. Mas na condição de espíritos preexistentes e imortais, tal qual Jesus, nós temos também Deus por Pai e até por Mãe. Portanto, todos nós sempre fomos, sempre somos e sempre seremos verdadeiros filhos de Deus!
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publicado por SÉRGIO RIBEIRO às 03:49
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